Sabores que contam história: uma jornada gastronômica pelo bairro de Botafogo
- 5 de dez. de 2023
- 15 min de leitura
Atualizado: 6 de dez. de 2023
" Quando você procura por algum lugar para almoçar, o que mais leva em consideração na escolha? Proximidade, sabor, preço, conforto do restaurante, tipo da comida, apresentação; todos são fatores válidos. Já não é de hoje que a gastronomia deixou de se basear apenas no gosto da comida. Em uma grande cidade, as opções de restaurante são extensas, das mais chiques às mais simples. O que é que você valoriza mais?
do É COmida, em Rio de Janeiro, por Arthur Augusto, Luis Gustavo Ribeiro, Pedro Gadelha e João Goguelin
editado 06/12/2023 19:30

Quem não tem uma comida favorita? Um salgadinho, um prato, uma besteira, uma comida de vó que independentemente do momento dá aquela água na boca, aquele apetite incontrolável. A comida nunca foi só uma questão de se alimentar, de saciar a fome, é um ato de amor. Quantas histórias, memórias ou até brigas acontecem em volta de uma mesa? Aquele almoço na casa dos pais que reúne a família toda, aquele tio chato, os primos que você não vê há muito tempo, aquela tia que sempre fala que você cresceu. Diversas vivências reunidas interagindo, se deliciando, se divertindo, ou melhor, criando laços.
A comida pode ser utilizada como instrumento para desenvolver as relações sociais. No âmbito narrativo, quantas cenas marcantes foram feitas em um jantar ou almoço. O fatídico casamento sangrento de Game of Thrones, a cena do Café da manhã da novela Guerra dos sexos, as belíssimas cenas do ratinho Remy preparando pratos maravilhosos que dão água na boca. Quem nunca quis comer o tradicional prato Ratatouille após ver o filme?

A comida, é bem verdade, foi incorporada nas atuais lógicas de consumo. Experiências são vendidas, pratos bem apresentados, inusitados e “instagramáveis” vieram com tudo. A gourmetização é cada vez mais abraçada pelos restaurantes e se torna um diferencial, cada vez mais uma demanda por parte do público. Mas será que esse fenômeno está acabando com o amor inerente à comida? Os pratos são bons de verdade ou é só estética?
Nós da equipe da “É COmida!” fomos em um bistrô e restaurante familiar, e em duas grandes franquias irmãs para avaliar.
Em um caminho ainda ensopado das recentes chuvas no Rio de Janeiro, encontra-se um restaurante incapaz de comportar todo o carisma que o envolve. Escondido e apertado na esquina da rua Paulo Barreto, em Botafogo, passando depressa, é possível que você sequer enxergue ele, só mais um pelo qual você passa todos os dias. Até que um dia, com um pouco mais de calma, você para e nota a placa e as duas mesinhas expostas do lado de fora, “Saúde pra nós”, café e bistrô.

Seja essa sua primeira vez lá como cliente, ou a milésima, o dono irá te receber com um carinho inigualável, e nada de pensar que vai conseguir sair de lá sem falar com ele. Murilo, o dono e atendente do bistrô, faz questão de cumprimentar cada um de seus clientes e, se ele for com a sua cara, você ainda pode dar a sorte de ganhar alguma cortesia da casa. O ambiente tem uma decoração simples, nas paredes apenas alguns quadros ornam o espaço, mantendo um clima familiar, algo que você poderia encontrar visitando a casa de um tio seu. Ao lado das taças de vinho bem guardadas, estavam engradados de garrafa de água no chão, podendo ser tanto simples, quanto elegante. Na caixa de som, sucessos do rock e do MPB como Charlie Brown Jr, Legião Urbana e Pearl Jam, "músicas de velho", como ele mesmo observou.
Sempre subindo e descendo a escada que dá acesso à cozinha para trazer os pratos, Murilo Ribeiro Pinheiro se veste de forma simples (uma camisa do Flamengo, calça jeans e um par de tênis de corrida velho), tem um olhar cansado, cabelo grisalho desarrumado, barba por fazer e uma simpatia contagiante, sempre trazendo leveza em cada conversa com os clientes, como se tivesse um super-poder do diálogo. No auge dos seus 59 anos, carioca de coração, nascido em Belém do Pará. Apesar disso, teve breve passagem por lá, ainda quando criança vindo para o Rio de Janeiro. Acompanhando sua mãe, Lena, em seu mestrado na UFRJ. Mesmo assim, possui forte apreço pela cultura paraense, influência de sua família materna.
Antes de entrar para o ramo de alimentação, foi sócio, junto com um amigo, de um salão de beleza feito no próprio bairro de Botafogo, que existe até hoje, embora não trabalhe mais lá. Atualmente, cuida do bistrô há quase 20 anos, aberto ao lado do antigo salão. Fundado em 2005, ainda como um café, ocupou o espaço que um dia fora um salão de jogo do bicho. À época, o “Saúde pra nós” foi criado com o intuito de ser uma alternativa diferente de comida na rua, “nada gorduroso”, como contou o próprio Murilo.
Enquanto ainda decidíamos o que comer, ele nos trouxe um couvert da casa, um pão fatiado acompanhado de um azeite saborizado. Simples, mas ótimo para abrir o apetite. O dono nos acompanhou durante todo o processo, nos auxiliou nas escolhas dos pratos e ainda pediu nossa ajuda com uma promoção da Spaten, que daria pontos para o restaurante trocar por produtos da marca e até mesmo por uma televisão, o que ele contou com animação. Durante nosso almoço, passou o tempo todo na mesa ao lado, solicito e conversando conosco e com outros clientes, alguns dentro do bistrô, outros sentados do lado de fora.
Pedimos três pratos, frango apimentado com couscous marroquino e salada, quiche de queijo Brie com damasco e linguine ao molho pesto. O primeiro a chegar foi o frango, cortado em cubos e com um molho que lembrava o gosto de teriyaki. A mistura combinava perfeitamente com a iguaria marroquina, uma vez que o frango dava um toque oriental e suculência ao prato. Junto, ainda havia o acompanhamento de uma salada verde com rúcula e cebola roxa por cima. O pedido inteiro fechava com neutralidade e muito sabor, um equilíbrio incrível.
O próximo a chegar foi a quiche de queijo Brie com damasco. Cada um dos pedidos veio à nossa mesa de forma separada, mas consecutivamente. Vale ressaltar, esperamos que cada um dos pratos chegasse à mesa antes de comermos, foi uma tortura em pleno horário de almoço. Trazendo uma forte cor laranja de sua calda e saltando aos olhos, a quiche tinha um sabor agridoce, muito harmônico quando combinado ao arroz de castanhas, recomendado por Murilo como o acompanhamento ideal. Junto a eles, a “salada silvestre” trazia rúcula, lascas de parmesão ralado e cubos de peito de frango grelhado. O prato exposto no cardápio terminava por aí, mas Murilo, com toda sua gentileza, ofereceu que escolhêssemos mais um acompanhamento, pegamos a cebola caramelizada.
O último a chegar foi o macarrão, e logo nossa agoniante espera seria finalizada. O linguine ao pesto era simples, exatamente como precisava ser. O ponto praticamentequase perfeito da massa e o sabor do molho esverdeado de manjericão aliaram-se de forma espetacular, com um toque do queijo parmesão ralado. Por último, mas nem de longe menos importante, a sobremesa, que dividimos pedaço por pedaço. Um brownie de chocolate caseiro com uma bola de sorvete de creme por cima, tudo coberto com calda de caramelo. A proporção perfeita do doce, mantendo o gosto na boca sem ser enjoativo.
Na hora de fechar a conta, ainda contamos com a vinda da esposa de Murilo, Gisele, que veio nos cumprimentar. Igualmente simpática ao marido, Gisele Calvi também é dona do bistrô, atuando na área da cozinha e sendo responsável pelos pratos excelentes que comemos. Uma mulher de estatura média, loira de olhos azuis, apresentava rouquidão na voz devido ao seu vício no ”cigarrinho”, como ela mesmo diz. E se lhe falta voz, lhe sobra sorriso. Calorosa e gentil, falou com cada um de nós e mostrou grande interesse quando contamos que estávamos produzindo uma matéria sobre o restaurante. Vendo a bandeja com o restante da calda de caramelo exposta no centro da mesa junto às colheres sujas, Gisele ofereceu que a sobremesa fosse por conta da casa. E para ser sincero, não sabemos se ela sabia se Murilo já havia nos dado o acompanhamento extra como cortesia, mas, para nossa sorte, ele não interferiu.


Após lances e lances de escadas rolantes, chegamos ao último andar do shopping RioSul, onde nos deparamos com um Outback vazio, algo quase inédito. Em um horário atípico, às 16h da tarde, apenas quatro das dezenas de mesas com sofás de couro estavam ocupadas, a primeira vez em que vamos nesse restaurante sem enfrentar nenhum tipo de fila. A decoração interna, pensada nos mínimos detalhes, simulava, ou pretendia ao menos, um ambiente australiano, com bumerangues e cangurus se unindo a um bar farto de garrafas de whisky.
Quem nos atendeu foi Mycaelle, simpática e sorridente durante toda nossa estadia, exibia um uniforme azul com o símbolo do Outback Steakhouse no peito. As diferentes cores dos uniformes foram um fator de curiosidade para nós, uma vez que vimos funcionários com roupas beges, azuis, pretas e vermelhas. Mais tarde, perguntamos a ela qual era o significado das cores e se havia algum tipo de hierarquização por trás. Ela explicou que cada cor representava uma função diferente: bege era para os recepcionistas, preto para os gerentes e tanto o azul quanto vermelho para os garçons, como a própria Mycaelle.
O Outback é da Bloomin Brands, uma holding de restaurantes informais que possui em seu catálogo diversas franquias de comida casuais- estilo de restaurante entre Fast Food e de alta gastronomia. Fundada em Tampa, Flórida, nos Estados Unidos, possui uma vasta cadeia produtiva internacional. No Brasil, a empresa, além do Outback, é dona das marcas Abbraccio e Aussie Grill. A Steakhouse de comida australiana, em especial, possui um grande sucesso no país, contando com 83% dos lucros internacionais da empresa.
Com caráter informal e descontraído, o Outback entrou no hábito brasileiro. Sendo um lugar de confraternização com o seu famoso Happy hour, onde é vendido chopp por metade do preço. Com uma decoração que emula uma casa tipicamente vista no “outback”- região árida da Austrália, junto com o uniforme que faz alusão a escoteiros, sendo um lugar amigável e aconchegante.
Acessamos o cardápio do restaurante em QR Code, o que particularmente não gostamos, e logo escolhemos duas entradas: o clássico “Bloomin’ Onion” e também as “Kookaburra wings”. A primeira, a já conhecida cebola empanada, servida em formato de pétalas e acompanhada por um molho apimentado fraco, é muito saborosa, apesar de um pouco enjoativa, justamente por ser apenas uma grande cebola feita por imersão à gordura (óleo). O molho é o querido molho Bloom, um sabor próximo ao bem brasileiro molho rosé, mistura formada entre maionese e ketchup, mas um pouco mais apimentado ajudando a quebrar os efeitos negativos do processo de fritura da cebola. Já a segunda entrada, a “Kookaburra wings”, coxinhas da asa de frango empanadas e servidas com molho blue cheese. Apesar de também serem fritas, as wings são muito saborosas e ficam ainda melhores com o molho, que traz o sabor marcante do queijo similar a gorgonzola, não se tornando enjoativo nem gorduroso.
Quanto ao prato principal, ficamos em dúvida sobre qual escolher, uma vez que decidimos que íamos pedir algo para dividir. Por fim, tivemos a ajuda da solícita Mycaelle, que nos recomendou o “Boomerang Five”, prato esse que teria a cara e o sabor da franquia. Ele veio até nossa mesa, é claro, em um grande bumerangue de madeira com cinco potinhos em cima, cada um trazendo diferentes porções de clássicos do restaurante. O prato funcionava como uma espécie de menu degustação do Outback, o qual prontamente degustamos.
Dentre as cinco porções, duas já conhecíamos bem, as “Bloomin’ Onion” e “Kookaburra wings” que havíamos comido como entrada, e tivemos o prazer de provar novamente. Ambas vieram acompanhadas de seus molhos típicos, os já citados Bloom e Blue Cheese, em potes separados para que fizéssemos mais combinações. As outras três porções, “Aussie Cheese Fries” (uma boa batata rústica frita com queijo e bacon), “Firecracker Shrimp” (camarão empanado com o molho picante Firecracker) e por último, mas com certeza não menos importante, “Billy Ribs” (a costela com barbecue que se tornou referência máxima do restaurante). Os nomes, em inglês, não são nem de longe um problema, mas às vezes passam a impressão de confundir mais do que ajudar na identificação dos pratos.
Apesar de ser estadunidense, o restaurante faz uma homenagem para a cultura Australiana, ou melhor, para a visão que o mundo tem sobre o que é o país. Desenhos, formatos de animais característicos da Oceania, como cangurus e coalas, além de bumerangues, artefatos, pinturas de povos originários e tudo mais que se é estereotipado. Nos banheiros, placas de “Blokes", no toalete masculino, e “Sheilas”, no feminino, gírias locais para rapazes e moças, respectivamente.
Como estávamos em quatro, e tanto as costelas quanto as asinhas vieram apenas em três, tivemos que nos dividir para que ninguém saísse prejudicado. Para acompanhar a comida, pedimos uma edição limitada da casa, três drinks trazendo toda a brasilidade da cozinha, todos à base de cachaça trazendo sabores de jabuticaba, maracujá e limão. Com um pouco menos de glamour e brasilidade, o membro do grupo que não estava bebendo álcool no dia acabou com uma água da casa mesmo.
No final, já cheios e deixando apenas o bumerangue de madeira como testemunha, encerramos a conta e perguntamos se Mycaelle poderia nos dar uma entrevista contando sobre o restaurante. A mesma se mostrou um pouco insegura, provavelmente receosa sobre as normas da franquia permitiam que ela desse algum depoimento desse tipo, e acabou por chamar seu gerente. Esperamos por um tempo razoável sem resposta, até chegamos a considerar que ela havia esquecido e seguido para atender outra mesa.
Depois de algo entre entre 15 e 20 minutos, veio ao nosso encontro Eduardo, o gerente do Outback naquele horário. Usando as roupas pretas que lhe eram devidas, o homem, de porte alto, se mostrou interessado em nosso trabalho e passou um contato de WhatsApp para marcarmos entrevista. Deixamos o restaurante contentes com o resultado e ansiosos por uma conversa com Eduardo, mas por algum motivo, quando tentamos contato com o gerente por telefone, não obtivemos retorno.

Animados pela ideia de sermos “Críticos gastronômicos”, decidimos nos degustar uma boa massa italiana. Embora à primeira vista não se pareça tanto com o Outback, o Abbraccio também possui exatamente com o mesmo sistema, alterando apenas o cardápio, em QR Code. Quem nos contou foi Daiane Silva, de 32 anos, gerente do Abbraccio no primeiro andar do mesmo shopping RioSul.
Daiane é uma simpatia em pessoa, com roupas casuais, calça jeans e um tênis sem cadarço, estava ocupada, quando a funcionária foi chamada para conversar com a gente. De óculos redondo, cabelo arrumado e um rosto com uma expressão séria, porém sincera, andava com um esparadrapo branco cobrindo o pescoço, talvez proveniente de alguma ferida. Formada em RH, Daiane teve sua primeira experiência profissional dentro da própria “Bloomin Brands”, aos 18 anos, quando entrou para o Outback.
Em uma conversa com nossa equipe, prévia à nossa ida oficial ao restaurante, Daiane relatou que existe uma forte hierarquização e divisão do trabalho. Esse fenômeno acontece tanto no Outback quanto no Abbraccio. Cada área do restaurante funciona de forma separada, possuindo um treinamento especial e respondendo às ordens do “escritório”, no qual são decididas as promoções, o cardápio, o modo de preparo e os fornecedores.
Em seguida, reparamos no nome do proprietário escrito em verde ao lado da porta da entrada do restaurante, Henrique Silva, para todos verem. Questionamos sobre o porquê disso e ela respondeu que é um padrão da franquia. Entretanto, afirmou que Henrique era “totalmente fora da curva”, que nunca havia visto um dono como ele, sempre atencioso e disponível para ajudar a resolver problemas.
À época em que fomos ao restaurante, eles ainda apresentavam decoração de Halloween, o que com certeza chamou nossa atenção. Averiguamos que o Outback também estava com a mesma decoração e perguntamos se havia sido uma instrução, mas Daiane negou.
Disse que ações como essa são feitas pelos próprios empregados querendo enfeitar o ambiente. Também salientou que a equipe dos dois restaurantes no Rio sul, possuem uma relação amigável.
Contentes pelo resultado da entrevista, sabíamos que precisávamos voltar ao Abbraccio, dessa vez, para comer. O restaurante traz o lifestyle italiano com receitas mediterrâneas, trazendo um ambiente chique e intimista. Uma cozinha aberta com balcão feito em uma bela pedra de granito cinza, permitindo que os clientes curiosos sintam o cheiro e possam ver seus pratos sendo feitos.
À esquerda do balcão de comidas, temos o bar, utilizando o mesmo acabamento de pedra na bancada e contando com cadeiras de couro. Preso ao teto, assim como seu “primo”, o Abbraccio possui garrafas dispostas em uma espécie de adega suspensa, mas ao invés de garrafas de whisky (mais comum nos EUA/Austrália) temos vinhos, remetendo bem mais a origem européia do local.
Uma coisa que sempre chama atenção no local são as conversações de italiano sendo reproduzidas no som dos sanitários. Muito embora ninguém vá aprender um novo idioma enquanto vai ao banheiro, a dinâmica é divertida e inédita.
Como entrada, comemos um famoso bolinho italiano, o Arancini, apresentado de forma bem simples, em uma pequena bandeja com molho no centro e os bolinhos ao seu redor. Uma versão semelhante ao nosso bolinho de arroz, servido em seis unidades de formato parecido a uma bolinha de queijo, consiste em uma junção de risotto com linguiça artesanal e molho de pimentões vermelhos, também acompanhado por um molho marinara da casa, que quebra a gordura da fritura muito bem e torna o bolinho ainda mais saboroso.
Quanto aos pratos principais, cada um pediu o que mais lhe interessou, mas todos fomos com a massa. O primeiro, e talvez o melhor, foi o “Pappardelle di Pollo”, uma simplista massa de Pappardelle em um ponto muito bom, acompanhada de um molho Alfredo e de cubos de frango grelhado e pancetta. Com uma massa no ponto ideal de cozimento, um molho suficientemente saboroso e a junção ideal de uma carne menos gordurosa, como o peito de frango, e uma mais gordurosa, como a pancetta de porco. O prato traz um equilíbrio muito harmônico de sabores e ingredientes, tornando-se melhor ainda quando adicionado o parmesão ralado da casa. Além disso, sua apresentação, apesar de pouco colorida, era muito bela junto a uma bonita louça onde serviram nossos pratos.
“Casarecce duas linguiças”, com uma massa casarecce al dente, o prato possuía cores bem vívidas, visto que a massa era acompanhada de um ragu de linguiças e uma mistura entre o molho Alfredo e o molho pomodoro, que traz uma coloração bem alaranjada. Apesar de bonito, o prato por vezes parecia "sem graça", o ragu de linguiça não tinha tanta suculência, parecendo mais uma carne moída sem molho. Quanto à massa e ao molho, ambos estavam bons, mas a massa poderia estar minimamente mais cozida e o molho um pouco menos gorduroso, mas não influenciou a ponto de tornar o prato ruim. Pelo contrário, quando adicionado o queijo parmesão ralado, o prato ganhava mais sabores e contrastes de cores.
Talvez o prato que mais tenha nos chamado atenção para experimentar tenha sido o “Casarecce funghi fresco”, tanto por seus ingredientes, quanto por sua aparência. Mais uma vez uma massa Casarecce, mas desta vez com o molho de tomate cubetti, bem menos gorduroso e ainda mais saboroso quando aliado aos cubinhos de tomates presentes nele. Os acompanhamentos neste prato foram os mais diferentes, uma vez que era vegetariano, trazia um refogado de cogumelos shitake, berinjela, tomate e abobrinha no ponto certo, nem muito passado, causando uma "moleza" excessiva, nem muito al dente, causando o aspecto de cru. O prato também contava com três esferas de ricota fresca temperada com limão, trazendo a neutralidade da ricota e um toque cítrico interessante com o limão siciliano. O prato, apesar de vegetariano, não peca em sabor, nem muito menos em cores e beleza, mas vale destacar, a massa estava muito al dente, não tornando impossível de comer, mas dando certa sensação de dureza ao mastigar.
O último e mais simples prato foi o “Fettuccine Alfredo”, que apesar de ter uma massa bem cozida, se tornava muito pobre de sabores e contrastes. Isso é levado pelo fato de que o molho Alfredo não possui tanto sabor sozinho, sendo melhor como complemento à uma proteína ou a outros ingredientes.
Como ainda não estávamos satisfeitos, pedimos não só uma, como duas sobremesas, e não nos arrependemos nem um pouco. A primeira foi a “Crostata de maçã”, muito provavelmente o melhor prato que comemos no restaurante, Servida em um recipiente que retém o calor do prato, consiste em uma massa folhada recheada de maçã e avelã tostada, acompanhada de sorvete de baunilha e uma calda de caramelo. Chega bem quentinho à sua mesa, mas cuidado! É quente mesmo, a ponto de se queimar se encostar. No momento em que pedimos, tivemos receio de que o prato pudesse ser muito enjoativo, mas pelo contrário, a massa folhada é perfeita, crocante e fácil de se partir, sem ser borrachuda nem gordurosa. Quanto ao recheio, as maçãs estavam muito bem preparadas, assemelhando a um recheio de uma boa torta de maçã, quando se carameliza bem a fruta antes de levá-la ao recheio. O sorvete e a calda entram com complemento perfeito, trazendo um contraponto de temperatura e intensidade de sabores, a calda era muito boa e pouco enjoativa, algo difícil de se encontrar em caldas de caramelo.
Por último, mas não menos importante, comemos a sobremesa chamada de “Quadrato di Cioccolato”, uma generosa fatia de bolo de chocolate recheada de ganache, também de sabor chocolate, e com uma bola de mousse, mais uma vez de chocolate, no topo. A sobremesa também pode contar com uma bola de sorvete de baunilha, pelo adicional de cinco reais, o que prontamente pedimos e ainda acabamos por ganhar como cortesia no final Quem vê a descrição do prato pode imaginar que seria extremamente enjoativo, é claro, pelo chocolate Mas não, o bolo se torna saboroso e nada enjoativo dado que a ganache tem um sabor meio amargo, trazendo equilíbrio na doçura e no gosto levemente gorduroso do chocolate. Já a mousse também não tinha muita doçura, estando ali apenas para complementar textura ao prato, já a massa do bolo realmente possuía a doçura e sabor clássico de um bolo de chocolate. Mas tudo realmente se torna melhor ao seguir a recomendação do restaurante, o adicional de sorvete combina muito bem com o prato, acrescenta contraste de textura, temperatura e intensidade no sabor, tornando a sobremesa mais leve e menos enjoativa.
No final, após o ótimo tratamento que recebemos dos funcionários, ainda recebemos um cartão que nos dava direito a uma cortesia na próxima visita ao Abbraccio. Uma estratégia simples, mas infalível, voltamos no dia seguinte a aproveitamos mais um “Quadrato di Cioccolato” na sobremesa. “Pilantras”, foi o que todos pensamos.


Por fim, depois de toda a nossa aventura gastronômica pelo bairro de Botafogo. Fizemos uma comparação dos três restaurantes. As estrelas representam o quanto, em uma escala de 0 a 5, nossa experiência pode ser avaliada nos três restaurantes. Nosso crítico gastronômico estabeleceu quatro critérios, no qual avaliou os seguintes parâmetros:
Empratamento: nesta categoria foi avaliado cada detalhe em relação pura e exclusivamente a aparência do prato, tanto sua louça quanto a comida, levando em consideração cores, contrastes e aparência geral.
Custo benefício: nesta categoria o método avaliativo foi referente ao quanto pagamos e o quanto comemos, tanto em quantidade como sabor.
Sabor: dessa vez os métodos foram restritos ao sabor, avaliando o ponto de cozimento, gosto e ingredientes utilizados.
Feedback geral: por último, realizamos uma média geral com notas de nossos 4 integrantes da reportagem.

Como resultado, nota-se que o “Saúde pra nós” liderou todos os requisitos, dividindo o pódio de nota mais alta com o Abbraccio apenas na categoria de empratamento. O restaurante com as piores avaliações foi o Outback, isso pois apesar de oferecer uma experiência acima da média, o restaurante deixou a desejar em diversos aspectos, mas principalmente no quesito custo benefício, sendo que dos três restaurantes visitados, foi o que pagamos mais caro e comemos menos, tanto em quantidade quanto em sabor. O Abbraccio, apesar de não liderar todas as avaliações, teve um feedback muito positivo, agradando bastante nos 4 critérios de avaliação.







































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